A meditação é uma técnica milenar que tem sido cada vez mais praticada, devido à necessidade de acalmar a mente na era dos smartphones. Temos acesso à informação muito rapidamente, estimulando o cérebro a funcionar de forma mais veloz e, às vezes, tendemos a sobrecarregá-lo. Resultado: cada vez mais pessoas diagnosticadas com depressão e ansiedade, doenças que têm como uma das causas a falta de apreciação do momento presente. 

Existiu um momento na vida em que me senti sobrecarregada com minhas tarefas diárias, com o trabalho que não gostava e resolvi mergulhar em mim, através da meditação, para acalmar e responder algumas questões internas que carreguei comigo durante anos. 

Aqui compartilho os aprendizados advindos da experiência de um retiro de meditação de 10 dias em silêncio, em que a minha única companhia era eu mesma. 

O processo começou antes mesmo do retiro, quando comentei com amigos e familiares que iria fazer um retiro de dez dias sem falar. Perdi as contas de quantas pessoas me perguntaram se eu iria dar conta e o quanto elas achavam que seria difícil ou impossível. Nesse início já aprendi algo: nem sempre a expectativa do outro é a sua, pois só você pode determinar o que é ou não capaz de fazer. Enquanto essas pessoas traziam expectativas negativas sobre o que eu poderia conseguir ou não fazer, eu seguia confiante lembrando dos exemplos de pessoas que conseguiram se manter no retiro por todos os dias e, ainda, as que voltavam para viver mais de uma experiência meditativa.

Já no primeiro dia, deparei-me com um dos maiores desafios para mim: permanecer na mesma postura pelas, aproximadamente, dez horas diárias de meditação. Era possível se mexer, sair para esticar as pernas, mas, ainda assim, as pernas ficavam dormentes e as costas doíam. Porém, quanto mais me dedicava à prática com afinco, mais as dores desapareciam. Outro desafio foi entrar na dieta de semi-jejum proposta. Comíamos bem menos do que sou habituada e, em consequência, eu sentia muita fome. Cada vez que a barriga roncava, eu sentia raiva e pensava em tudo que eu podia estar comendo. Até que, em algum momento, lá pro terceiro dia de retiro, entendi que aquilo era parte do processo de desapego e que quando mais eu pensasse naquilo, maior era sua importância, e mais sentimentos ruins eu cultivava. Daí surge mais uma lição: tudo que você dá atenção cresce. Se você focar no lado negativo das coisas, esta será a sua realidade, então por que não focar no lado positivo? Sendo assim, superei a vontade de comer e comecei a sentir outras energias me nutrindo, como a energia que meu próprio corpo produzia cada vez que entrava em estado meditativo.

Além da fome, tive que lidar também com os fantasmas do passado. Não sabia o por quê, mas diversas situações que me trouxeram sofrimento no passado surgiam na minha tela mental ao longo das meditações. Eu não entendia, já que no meu dia-a-dia, aquelas questões nem me assombravam. O engraçado é que todos os dias, à noite, tinha uma palestra na qual falava-se exatamente o que eu havia sentido durante o dia. Como aquilo poderia ser possível se nenhum dos praticantes podia falar para compartilhar o que sentia? E o comando era para prosseguir na prática com perseverança, sem se apegar às imagens – positivas ou negativas – que viessem à mente e deixá-las passar. Esse ensinamento trouxe a noção de que se apegar ao passado traz sofrimento se você ficar relembrando uma situação à qual não pode mais ter controle. Focando no presente, durante a prática, entendi que, independente do meu passado, eu poderia tornar o meu presente prazeroso, mas se me mantivesse apegada, não seria possível dar o meu melhor naquele instante – nem em momento algum.

Mais uma dificuldade foi lidar com a vontade de “acertar” a prática. Quando tratamos de meditação, não há certo ou errado, é uma experiência única para cada praticante. O foco no presente significa estar aberto a tudo que pode surgir naquele momento. Durante alguns dias em que estive lá sentada, eu tinha como objetivo sentir algo bom e relaxante, mas não percebia que, quanto mais eu tentava, mais expectativa eu criava e mais me afastava da proposta: apreciar o momento presente. Passei muito tempo lutando contra mim mesma em busca da sensação de bem estar que achava que aquilo iria me trazer. Agindo daquela forma, comecei a ter um sentimento de aversão, pois não via resultados. A mente às vezes nos pega com suas armadilhas. Eu poderia ter ficado eternamente depositando expectativas em algo que não se pode prever, mas em algum momento me entreguei à prática e aprendi mais uma lição para a vida: assim como se aprisionar ao passado te impede de viver o presente, apegando-se ao futuro os resultados podem ser os mesmos.

Depois de 10 dias apenas na minha companhia, pude viver mais do que se pode imaginar. Os aprendizados carrego comigo na minha trajetória em uma vida mais leve. Com certeza ainda há muito o que aprender para uma vida com menos sofrimento, mas poder chegar até aqui já é grandioso. É necessário coragem para se despir do ego e mergulhar no silêncio da própria alma, mas garanto que vale muito a pena. 

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