Você escolhe o tipo de vida que quer levar. Que comportamentos, atitudes, escolhe que pensamentos seguir. E tudo isso vai definindo seu estilo de vida, você.

E você e seu estilo de vida também são definidos pelas sutis decisões emocionais, mentais e racionais que você escolhe.

Então, por exemplo, quando encontrar-se novamente em uma situação de discussão, desavença, briga ou desagradáveis argumentações contrárias, e por vezes verbalmente agressivas, pare e pense: tudo o que estou dizendo sobre quem me ouve, sou eu.

E tudo o que estou ouvindo sobre quem me julga, é o outro.

Vamos entender. Isto é o que a Psicologia há séculos já dera o nome de “projeção” – expressão muito em uso hoje em dia, mas poucas vezes empregada corretamente.

Para a Psicologia, e Psicanálise (toda Psicanálise é Psicologia, nem toda Psicologia é Psicanálise – explico ao final do texto), a “PROJEÇÃO” é um mecanismo de defesa, pelo qual o ser humano atribui à outra pessoa seus próprios sentimentos e motivações.

“É o mecanismo pelo qual o indivíduo projeta inconscientemente fora de si o que experimenta em si mesmo; ato pelo qual o indivíduo atribui aos outros os seus próprios sentimentos, ou manifesta nas suas obras a sua natureza própria.”

Existe um pensador de língua espanhola, o mexicano D. Miguel Ruiz, internacionalmente conhecido pela autoria de “Os Quatro Compromissos” (inclusive um bestseller do “The New York Times” durante mais de sete anos), onde ele fala sobre a cultura tolteca*, e postula quatro “condutas” universais, com o intuito de melhorar nosso modo de vida.

Pois um destes “compromissos” fala, de outra maneira, mas com o mesmo significado, sobre a ação de nos projetarmos no outro – na verdade, neste caso, em NÃO nos projetarmos.

(D. Miguel também fala sobre estarmos “acorrentados” em padrões e crenças limitantes, como se estivéssemos “domesticados” por este estilo de vida moderno e desconectado de nós mesmos, de nossas verdadeiras essências; apenas seguindo um estilo de vida autoimposto, que começa a basicamente funcionar no automático.)

“Em “Os Quatro Compromissos”, Don Miguel Ruiz “revela a fonte de crenças autolimitantes que nos roubam a alegria e criam sofrimentos desnecessários. Baseado na sabedoria ancestral tolteca*, esta obra nos oferece um poderoso código de conduta, de estilo de vida,  que pode rapidamente transformar nossas vidas em uma nova experiência de liberdade, verdadeira felicidade e amor, através dos quatro compromissos: seja impecável com sua palavra; não leve nada para o lado pessoal; não tire conclusões; e dê sempre o melhor de si.”

E é sobre o “segundo compromisso”, “não leve nada para o lado pessoal”, de que tratamos aqui.

Trata-se similarmente de dizer: não aceite tais projeções que o outro, na discussão em que você se encontra, está a lhe empurrar. Apontando suas falhas, criticando suas atitudes, acusando-o dessa ou daquela situação.

Dom Miguel diz para não levarmos nada para o lado pessoal, e explica que a pessoa que está ali, dizendo tudo isso, não fala de você, mas dela. Ela está falando da sua própria realidade, E NÃO DE VOCÊ.

E isso é o mesmo que, psicologicamente, dizer: não aceite tais projeções; quem me acusa está falando de si, não de mim.

Essa “pequena” mudança de perspectiva, nos liberta tremendamente de alguns nós na maneira em como nos relacionamos com os outros.

Ora, se a pessoa está ali, me acusando de algo em que eu não acredito mais, pois passei a entender que ela fala de si, da realidade dela, das suas projeções; eu não tenho mais motivos para me ofender, me ressentir, ter raiva… nada disso. Eu simplesmente posso observar e não me envolver.

Talvez até, com sorte, ajudar o “apontador de dedos” da história, a enxergar que ele está falando de si, nunca se sabe…

E o contrário também é verdadeiro. Também se aplica a você, a nós. Tente se lembrar disso tudo quando estiver irritado(a) com alguém, esbravejando impropérios, culpando fulano de algo, por mais razão que você pense que tenha, ou tenha mesmo. Preste atenção ao que você pensa e diz ao outro.

Toda a irritação e incômodo que sente: onde isto está, dentro de mim?

Não importando o quanto o outro esteja errado, tenha agido realmente de maneira errada com você. Pare e pense nos motivos de exatamente aquelas ações/atitudes específicas tomadas pelo outro, lhe incomodaram tanto. Independentemente do quão o outro esteja sim, errado.

Traga o foco para você.

Existe uma grande corrente psicológica que diz que uma pessoa se irrita com as atitudes e/ou comportamentos de outra, porque ela possui as mesmas “falhas”, ou um grande potencial para desenvolvê-las. E como não consegue aceitar isto dentro de si, como uma verdade sobre si, por inúmeros fatores, acaba projetando no outro, e se livra de ter que lidar com o que quer que seja que a incomoda tanto, dentro de si mesma.

Portanto, nosso estilo de vida é sim determinado pelas escolhas que fazemos em relação aos nossos comportamentos, atitudes, alimentação, cultura, etc.. Mas também pelas escolhas que fazemos dentro dos nossos relacionamentos – com nós mesmos e com os outros. As escolhas subjetivas, mentais e emocionais que fazemos na lida com o outro, pois que, o outro sou eu.

 

 

(Toda Psicanálise é Psicologia, nem toda Psicologia é Psicanálise:

Dentro da Psicologia, a Psicanálise é uma “linha”, uma escola terapêutica à parte – é tudo que descende de Freud. Qualquer profissional da área da Saúde pode estudar Psicanálise, sem, com isso, se tornar um psicólogo. E como dito, dentro da Psicologia, a Psicanálise é uma disciplina à parte e obrigatória dentro da graduação em Psicologia; portanto, toda Psicanálise é, obrigatoriamente, Psicologia, mas o contrário não se aplica. Um psicanalista não é, necessariamente, um psicólogo.)

* Os toltecas viveram há milhares de anos atrás, no Sul do México. Antropólogos se referem a eles como uma nação ou raça, mas na verdade eram cientistas e artistas que se associaram para explorar e conservar a sabedoria espiritual e as práticas dos antigos. (…)”.

(D. Miguel Ruiz)

 

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