Mudar o mundo. Utopia ou realidade?

Essa semana meu tio foi visitar minha vó… e conversando sobre a vida, chegou o assunto Carolina. E no assunto Carolina ele falou: “- Eu sei que quando se é jovem, somos todos utópicos, e agora tá você nessa coisa de querer mudar o mundo. Isso não dá em nada, é só decepção. ”

Sorri e respondi: “- Pode até ser, mas prefiro continuar acreditando, deixa então eu me divertir brincando de mudar o mundo. ”

E acho que é mais ou menos assim que devemos levar, não adianta entrar numa discussão ou ficar ofendida por não acreditarem naquilo que acreditamos, os caminhos que seguimos… até porque eles já passaram por isso, e sim… se decepcionaram. Então não posso dizer que eles não têm razão. Mas acredito que cada um é cada um, cada um tem uma história, cada um tem uma forma de levar a vida e viver.

E aí ainda no âmbito familiar, mais um momento que percebo que realmente não tem como ser radical. Meu primo adolescente não gosta de estudar, tem um talento artístico nato, não precisa ser um grande observador para perceber que ele é das artes. Mas… está na escola, e é a “obrigação dele estudar” e passar de ano.

Essas obrigações e imposições já me dão calafrios, a escola realmente pode ser chata para um monte de gente, só que é a realidade que temos hoje. Então apresentei para ele um ponto de vista do porquê se dedicar a escola, do porquê dessa cobrança dele passar de ano.

Tenho toda uma forma de pensar em relação a isso tudo, mas colocar isso da forma que realmente penso no grupo da família, não seria produtivo e não resolveria nada. Além de ser muito egóico porque é a minha forma de pensar.

Fora que não mudaria nada, ele teria que continuar com a obrigação de estudar e todo meu discurso seria rejeitado, e poderia até gerar desconforto. E não é isso que quero… não é isso que busco. Mais que colocar meu ponto de vista, eu prezo pela escuta, por entender as partes, pela harmonia e solução de uma questão onde todos se sintam acolhidos.

Até porque é a minha verdade, que não necessariamente é a mesma que a sua… e acho que isso que falta um pouco no mundo, o escutar. A escuta empática, deixando de lado o ego, o “eu”, o “meu”.

Hoje amadureci, e saí também daquela utopia romântica de que o mundo vai mudar de uma hora para outra, para mudar alguma coisa preciso conhecer e aceitar como ele está agora. E para isso não devo brigar com o que existe, e com como as coisas funcionam. Não acho que seja esta a solução.

A educação tem falhas, tem… mas é o que tem para hoje. E o aceitar não significa que eu concorde e não vá fazer nada, mas vou fazer dentro do que existe, dentro das possibilidades reais. Assim como tudo mais.

A solução não é brigar, não é o conflito, é o consenso, é o ver o que existe e o que pode ser feito para começar a trazer as mudanças que acreditamos ser importante.

A empresa que trabalho é uma escravidão? Não gosto de várias coisas ali? Não posso mudar de emprego agora? Ok… então o que posso fazer para melhorar a situação atual? É o trabalhar com o que temos nas mãos, ao nosso alcance.

Assim as frustrações diminuem, as conquistas passam a ser mais tangíveis, e as mudanças aos poucos vão começando. É assim galera… é assim que eu acredito que vamos mudando paradigmas, mudando formas de agir, a forma de viver. É assim que acredito que vamos mudando o mundo.

Se vai acontecer ou não, não sei… Não tenho bola de cristal. Mas não importa, prefiro continuar vivendo assim, nessa brincadeira de mudar o mundo. No tempo e do jeito que está ao meu alcance. 😉

Carolina Tomaz, sonhadora e executora.

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